domingo, 28 de fevereiro de 2010

Cirrose Hepática



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O QUE É UMA CIRROSE HEPÁTICA?

É uma doença que conduz à destruição do fígado. É também chamada de doença hepática crônica e caracteriza-se pela morte das suas células (necrose), aparecimento de cicatrizes (fibrose) e alteração da sua estrutura (regeneração nodular). Crônica significa que se estende por meses ou anos. O fígado fica com uma consistência muito dura e cheio de nódulos, que são formações arredondadas e salientes.

QUAIS SÃO AS FUNÇÕES DO FÍGADO?

Algumas funções: síntese de proteínas (albumina é a mais importante), síntese de vitaminas, reserva energética, ajuda na absorção dos alimentos, síntese de factores da coagulação que impedem as hemorragias, eliminação de toxinas provenientes do aparelho digestivo, eliminação de tóxicos (álcool, medicamentos), defesa do organismo contra infecções, etc.

QUAL A FREQUÊNCIA DA CIRROSE HEPÁTICA?

Em Portugal, morrem cerca de 2000 pessoas por cirrose hepática, se considerarmos, também, as mortes por cancro do fígado (carcinoma hepatocelular ou hepatoma), cujos doentes têm, quase sempre, cirrose. A cirrose é a nona causa de morte, mas a quarta de morte precoce (antes dos 70 anos).

QUAIS AS CAUSAS MAIS FREQUÊNTES DE CIRROSE HEPÁTICA?

A causa mais freqüente em Portugal é a cirrose alcoólica, seguida pela hepatite C e pela hepatite B. Outras causas mais raras são as doenças do fígado associadas à obesidade (NASH nonalcoholic steatohepatitis ou esteatohepatite não alcoólica, cirrose biliar primária, hepatite auto-imune, doença de Wilson, hemocromatose, déficit de alfa 1--antitripsina, atresia das vias biliares, colangite esclerosante primária).

COMO SE MANIFESTA ESSA DOENÇA?


Na cirrose existem duas fases: uma dita compensada, em que pode não existir qualquer tipo de sintomas, e outra em que pode manifestar-se de vários modos. Esta fase denomina-se de «cirrose hepática descompensada», sendo o risco de complicações graves muito elevado.

As principais formas de descompensação são:

Icterícia – «olhos amarelos».

Ascite – «barriga de água». Podem acumular-se até cerca de 15 litros no abdómen.

Hemorragia digestiva – vómitos com sangue (hematémeses), ou fezes com sangue (melenas), mais frequentemente provocadas pela rotura de veias muito dilatadas no esófago, as chamadas varizes esofágicas.

Encefalopatia hepática – alterações mentais que podem levar a confusão mental, agressividade e mesmo coma.

Infecções graves – peritonite bacteriana espontânea (infecção do líquido ascítico sem causa aparente), septicemias (infecções generalizadas).

Cancro do fígado (carcinoma hepatocelular ou hepatoma) – de elevada gravidade

COMO SABER QUE TENHO?

O diagnóstico assenta na combinação da presença de sintomas acima descritos, a par de alterações nas análises laboratoriais e ecografia ou TAC abdominal. Por vezes, é necessário tirar um pequeno fragmento do fígado, através de uma agulha, para análise ao microscópio. É a chamada biopsia hepática. Existe um exame mais recente, semelhante a uma ecografia, chamado elastografia hepática ou «FibroScan®» que pode ser muito útil no diagnóstico da cirrose, dispensando, nalguns casos, a biopsia.

TEM TRATAMENTO?

Sim, tem! Há muito a fazer! O tratamento depende das causas. Para a hepatite C existem medicamentos que eliminam o vírus em mais de metade dos casos, impedindo o agravamento da cirrose e, por vezes, proporcionando a sua regressão (interferão peguilado e ribavirina). Para a hepatite B consegue-se o controlo do vírus na grande maioria dos casos (interferão peguilado, lamivudina, adefovir, entecavir, tenofovir, telbivudina). Para a hepatite auto-imune utilizam-se corticóides; para a cirrose biliar primária, o ácido ursodeoxicólico.

Na fase de descompensação, depende dos sintomas:

Ascite: paracentese, que consiste na extracção de líquido espetando uma agulha no abdómen, e diuréticos, que são medicamentos que fazem urinar (furosemida, espironolactona).

Hemorragia digestiva: tem de se fazer uma endoscopia para se «secar» as varizes, através da chamada laqueação elástica ou esclerose. Também existem medicamentos que ajudam a parar a hemorragia, como a somatostatina, o octreótido ou a terlipressina. São muito importantes as transfusões de sangue.

Encefalopatia: evitar o excesso de proteínas na alimentação, pesquisar e tratar as infecções, dar um xarope chamado lactulose.

Infecções: antibióticos.

Quando a cirrose descompensa, pode-se ter de pensar na substituição do fígado pelo de outra pessoa. É o chamado transplante hepático, caso não existam contra-indicações. Setenta a oitenta por cento dos transplantados estão vivos dez anos após o transplante.

EXISTE RISCO DE CONCRO?

Sim, e muito elevado. O risco de aparecer cancro do fígado na cirrose hepática é de cerca de 1 a 4% por ano. Este (carcinoma hepatocelular ou hepatoma) tem elevada mortalidade se for diagnosticado tarde. Todo o doente com cirrose tem obrigatoriamente de fazer uma ecografia abdominal de seis em seis meses, para que o tumor seja diagnosticado ainda com pequenas dimensões. Neste caso existem alguns tratamentos com eficácia, como seja o transplante hepático, a remoção cirúrgica, a radiofrequência ou a alcoolização, a quimioembolização e um medicamento chamado sorafenib, dado por via oral em comprimidos

COMO SE PODE EVITAR A CIRROSE HEPÁTICA?

• Não consumir bebidas alcoólicas em excesso (mais do que duas a três no homem e uma a duas na mulher, por dia). Não consumir bebidas alcoólicas antes dos 18 anos.

• Vacinar-se contra a hepatite B.

• Não partilhar seringas ou qualquer material usado no consumo de drogas injectadas; não partilhar o material usado para «snifar» (previne hepatite C).

• Usar preservativo no caso de múltiplos parceiros ou relações sexuais de risco (evita hepatite B e C).

• Evitar o excesso de peso.

REFERÊNCIA: www.apef.com.pt/.../pdfs/APEF

POSTADO POR: Mayara Amanda

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